Por que os EUA capturaram o presidente da Venezuela?
Superficialmente, trata-se de drogas. Donald Trump culpou repetidamente Nicolás Maduro por inundar os EUA com narcóticos e criminosos, acusando-o de liderar uma organização “narcoterrorista” e de colocar uma recompensa de 50 milhões de dólares (37 milhões de libras) pela sua cabeça. No sábado, Maduro e sua esposa foram acusados de seu suposto papel na conspiração narcoterrorismo.
É realmente sobre petróleo?
Muito possivelmente. Maduro há muito acusa Washington de querer controlar as reservas de petróleo do seu país, as maiores de qualquer nação. O Presidente dos EUA pode muito bem querer o petróleo – mas outra preocupação é que a Venezuela o vende principalmente a China. No sábado, Trump disse que os EUA estarão “fortemente envolvidos” na indústria petrolífera da Venezuela, dizendo que a nação a “roubou” dos EUA e que os gigantes petrolíferos americanos consertariam a infraestrutura “e começariam a ganhar dinheiro”.
Quando tudo começou a dar errado?
As relações entre os EUA e a Venezuela começaram a deteriorar-se quando o socialista Hugo Chávez chegou ao poder em 1999. Ele construiu laços mais estreitos com adversários dos EUA, incluindo Cuba, Irã e Rússia. Em resposta, os EUA impuseram sanções à Venezuela.
Onde Maduro entra?
A divisão aprofundou-se quando Maduro substituiu Chávez em 2013, herdando a hiperinflação, a escassez de alimentos e a pobreza. Maduro prendeu rivais políticos e o seu governo foi acusado de execuções extrajudiciais e tortura. Maduro também é amplamente acusado de fraudar duas eleições, gerando agitação.
E quanto a Trump?
Durante o primeiro mandato de Trump, as sanções dos EUA aumentaram dramaticamente. No segundo, apelou repetidamente à derrubada de Maduro e supervisionou o maior reforço militar nas Caraíbas desde o fim da Guerra Fria. Essa força ataca barcos acusados de tráfico de drogas desde setembro, atingindo 35 embarcações e matando pelo menos 115 pessoas. Soubemos que a captura de Maduro estava sendo planejada há meses, com uma complexa operação de inteligência rastreando seus movimentos.
Uma imagem divulgada pela assessoria de imprensa da Casa Branca mostrando o presidente Donald Trump (à direita) e o diretor da CIA John Ratcliffe (à esquerda) assistindo a ‘Operação Absolute Resolve’ de Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, em 3 de janeiro
A captura de Maduro é sem precedentes?
Sim e não. Embora as ações de Trump tenham suscitado sérias questões de direito internacional, existem paralelos impressionantes com outra operação dos EUA. Em 1989, Washington acusou o presidente do Panamá, Manuel Noriega, de tráfico de drogas. Na ‘Operação Justa Causa’, os EUA invadiram e Noriega se rendeu. Ele foi levado de avião para Miami, condenado por tráfico e extorsão e sentenciado a 40 anos de prisão.
O que acontece a seguir?
Isso é incerto. Maduro e a sua esposa enfrentarão acusações em Nova Iorque, enquanto Trump diz que os EUA estão “prontos” para realizar um segundo ataque “e muito maior” à nação, se necessário. Entretanto, os EUA “administrarão” a Venezuela até que haja “uma transição segura, adequada e criteriosa” – embora haja poucos detalhes sobre como isso funcionará. Trump diz que “não tem medo” de colocar as botas no chão. Resta saber o que isso significará para a Venezuela e para os seus 30 milhões de habitantes que já viviam uma crise inimaginável.


















