O parlamento de Mianmar reuniu-se na segunda-feira pela primeira vez desde um golpe de Estado há cinco anos, num dos passos finais de um regresso nominal à democracia, onde os seus poderosos militares mantêm um controlo apertado.

A reunião do novo parlamento ocorre após uma recente eleição faseada dominada pelo Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, apoiado pelo exército, num contexto de baixa participação eleitoral e sem oposição viável.

O presidente do USDP e brigadeiro-general aposentado Khin Yi foi eleito presidente da Câmara dos Deputados na segunda-feira. A Reuters havia relatado anteriormente que Khin Yi havia sido elogiado para o papel, que é visto por alguns analistas como fundamental para os militares no avanço de sua agenda.

Mianmar tem sido assolado por uma guerra civil e por uma crise humanitária que afecta milhões da sua população desde que os seus generais deram um golpe de Estado em 2021 contra o governo da laureada com o Nobel Aung San Suu Kyi, no momento em que se preparava para um segundo mandato de cinco anos no cargo, após uma vitória eleitoral esmagadora.

Muitos países ocidentais consideraram as últimas eleições uma farsa destinada a consolidar o regime militar e a ganhar legitimidade aos generais, depois de cinco anos como párias contaminados por sanções e excluídos das principais cimeiras internacionais.

LEGISLATURA DOMINADA PELO MILITAR

O USDP, criado pelos militares em 2010, conquistou 81% dos assentos disponíveis e será acompanhado no parlamento bicameral por dezenas de oficiais militares escolhidos a dedo pelas forças armadas, às quais, segundo a Constituição, é atribuído um quarto dos assentos legislativos.

A grande representação dos militares e a sua influência sobre o USDP colocam efectivamente a legislatura sob o seu controlo, dando aos altos escalões o poder de determinar a presidência, sendo amplamente esperado que o chefe da junta e líder golpista, Min Aung Hlaing, assuma o cargo.

“Este nível de controlo deixa claro que não se pode esperar nada de substancial deste órgão; é evidentemente um parlamento que funcionará apenas ao capricho do líder militar”, disse Htin Kyaw Aye, um analista independente.

“É apenas uma manobra da liderança militar para transferir o poder da mão esquerda para a direita”, disse ele.

‘SUPERCORPO’ A SER FORMADO

Além disso, será criado um novo painel de cinco membros, o Conselho Consultivo da União, no que alguns especialistas chamaram de “supercorpo”, que permitiria a Min Aung Hlaing manter o controlo sobre a administração militar e civil.

A junta desafiou as críticas às eleições, insistindo que estas reflectiam a vontade do povo. Afirmou que um novo governo seria formado em Abril e previu uma flexibilização das sanções e um maior envolvimento internacional e investimento estrangeiro.

Um comentário no jornal estatal Global New Light of Myanmar sobre a formação do parlamento disse que todo o país espera as melhores condições políticas onde o interesse nacional seja priorizado.

“Ao realizar atividades políticas, devem agir com coragem para o bem da nação, livres de preconceitos pessoais, partidários e sentimentos de favoritismo ou hostilidade”, afirmou.

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