Bombeiros brasileiros estavam combatendo um incêndio no domingo no Parque Nacional de Brasília, uma reserva natural localizada nos arredores da capital. O incêndio é o maior que Brasília já viu este ano, já que a cidade atingiu 145 dias sem chuva. Foto: AFP

“>



Bombeiros brasileiros estavam combatendo um incêndio no domingo no Parque Nacional de Brasília, uma reserva natural localizada nos arredores da capital. O incêndio é o maior que Brasília já viu este ano, já que a cidade atingiu 145 dias sem chuva. Foto: AFP

O Brasil está pegando fogo.

Da floresta amazônica ao Pantanal, as chamas consumiram milhões de hectares de florestas e terras agrícolas nas últimas semanas.

Quase dois terços do maior país da América Latina estão sob fumaça.

Embora alimentados pela seca extrema, que o governo diz servir como “uma demonstração da gravidade das mudanças climáticas”, muitos dos incêndios foram provocados por “criminosos”, nas palavras da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Aqui está o que sabemos sobre a “pandemia de incêndios” no Brasil, como o ministro Flávio Dino descreveu a situação.

Qual é a extensão?

Segundo dados coletados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um total de 188.623 focos de incêndio foram identificados no Brasil desde o início do ano.

O número total no ano passado foi de 189.926.

O mês de setembro de 2024 foi o pior até agora, com 61.572 incêndios registrados em 17 dias, em comparação com 46.498 em todo o mês de setembro de 2023.

O número de incêndios na Amazônia neste mês já é muito maior do que em 2019, quando a destruição da maior floresta tropical do mundo gerou uma indignação internacional que colocou o então presidente Jair Bolsonaro em desvantagem.

Os números de 2024 ainda estão longe do recorde de 393.915 incêndios registrados em 2007 — mais de um terço somente em setembro daquele ano.

Mas, desta vez, “os incêndios estão ocorrendo em várias regiões do país ao mesmo tempo, o que torna o problema mais complexo de gerenciar”, disse Ane Alencar, diretora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Quais são as causas?

O Brasil enfrenta uma seca prolongada desde junho de 2023, de acordo com Suely Araujo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima do Brasil — um coletivo de organizações não governamentais.

Qualquer chuva que tenha caído foi “menor que o esperado”, resultando em condições secas que podem transformar a menor faísca em um incêndio.

“A mudança climática está em jogo, juntamente com o fenômeno El Niño”, disse Araujo.

Alencar disse que a maioria dos incêndios foi provocada deliberadamente, geralmente por fazendeiros que estavam limpando terras.

Os agricultores podem obter permissão do governo para essa queima, mas a prática foi temporariamente proibida porque os incêndios podem facilmente sair do controle nas condições atuais.

No entanto, “é provavelmente a lei menos respeitada no Brasil”, disse Alencar à AFP.

Outro culpado é o enorme e influente setor da agroindústria, que, segundo Alencar, foi flagrado deliberadamente atear fogo em florestas públicas para limpar terras para fazendeiros.

Uma terceira causa é mais difícil de identificar: incendiários individuais cujo único motivo é “semear o caos”, de acordo com o chefe da Polícia Federal, Humberto Freire.

Qual é a perspectiva?

A pesquisadora do INPE Karla Longo disse que se os causadores do incêndio não forem contidos, as chamas “continuarão até chover”.

A seca que assola o Brasil deve durar até outubro, ela acrescentou.

“A estação chuvosa deve começar na segunda quinzena de outubro… mas pode ser adiada devido à extrema seca e à baixa umidade atmosférica”, acrescentou Ricardo de Camargo, professor de meteorologia da Universidade de São Paulo (USP).

O presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu combater as mudanças climáticas e interromper o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030, admitiu na terça-feira que o Brasil “não estava 100% preparado” para lidar com a última onda de incêndios, ao anunciar US$ 94 milhões para a resposta.

“As autoridades deveriam fazer mais, em todos os níveis”, disse Araujo, que liderou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, uma agência federal, de 2016 a 2019.

Ela pediu uma coordenação mais estreita entre os ministérios, bem como entre os governos nacional e estaduais.

Freire pediu penas mais duras para “crimes ambientais”.

Source link