Com o seu líder supremo morto e a sua máquina de guerra sob pressão implacável dos EUA, o Irão está agora em grande parte sozinho – os seus parceiros de longa data, a Rússia e a China, não oferecem nada mais do que condenações diplomáticas e expressões de preocupação.
‘CÁLCULO A FRIO’
Com o Estreito de Ormuz já fechado, os ataques fizeram disparar os preços da energia, desestabilizando os mercados globais e forçando as principais economias a lutar, sublinhando a exposição do mundo às consequências da resposta de Teerão à guerra.
A contenção da Rússia e da China reflecte um cálculo frio, dizem os analistas: intervir enquanto o Irão enfrenta Israel e os EUA traria custos elevados, ganhos limitados e riscos imprevisíveis – fardos que nenhuma das potências parece disposta a assumir.
“Putin tem outras prioridades, e a principal delas é a Ucrânia”, disse Anna Borshchevskaya, especialista em Rússia do Instituto de Washington. “Seria tolice a Rússia entrar num confronto militar direto com os Estados Unidos.”
PARADOXO ESTRITO
A China passou anos a integrar-se na diplomacia do Médio Oriente, enquanto a Rússia apresentou o Irão como um pilar do seu alinhamento antiocidental.
No entanto, à medida que o conflito se intensificou, ambas as potências foram limitadas – a China pela sua dependência da energia e do comércio do Golfo e pelas prioridades de segurança na Ásia, e a Rússia por uma guerra opressiva na Ucrânia que minou a sua capacidade de proteger os parceiros e aguçou a sua necessidade de preservar os laços com os Estados do Golfo ricos em petróleo. O resultado é um paradoxo absoluto: o Irão continua a ser estrategicamente útil para ambos, mas não é suficientemente útil para lutar.
ALIANÇAS DA CHINA FOCAM NO COMÉRCIO
Ao contrário dos EUA, cujas alianças assentam em obrigações de defesa mútua, a China prefere parcerias baseadas no comércio, no investimento e na venda de armas, laços que não chegam a arrastá-la para conflitos dispendiosos fora da Ásia Oriental, disse Evan A Feigenbaum, do Carnegie Endowment for International Peace.
Pequim mantém laços com o Irão e os rivais sunitas do Golfo e, na América Latina, nunca fez todas as suas apostas apenas na Venezuela.
A principal vulnerabilidade da China continua a ser o fluxo de energia através do Estreito de Ormuz, que transporta cerca de 45% das suas importações de petróleo. Mas Pequim construiu reservas estratégicas e volumes substanciais de petróleo iraniano já armazenados em navios-tanque ou armazenados, dizem os especialistas.
PREÇOS MAIS ALTOS DO PETRÓLEO AJUDAM A RÚSSIA
A Rússia também vê benefícios concretos: o aumento dos preços do petróleo fortalece a sua economia de guerra.
A Rússia não beneficia do colapso do regime iraniano, mas também não está a vincular o seu destino à sobrevivência de Teerão, disse Borshchevskaya. Moscovo está a proteger-se, a preservar a flexibilidade, independentemente do resultado do conflito, e construiria laços com qualquer novo governo, mesmo um alinhado com Washington.
