As autoridades iranianas apresentarão acusações puníveis com a morte contra alguns indivíduos presos durante manifestações recentes, disseram os promotores na terça-feira, à medida que aumentava a preocupação de que um homem preso durante os protestos já corre o risco de execução iminente.

O gabinete do procurador de Teerão afirmou num comunicado citado pela televisão estatal que um número não especificado seria acusado de “moharebeh”, ou “travar guerra contra Deus”, um termo da lei sharia que é um crime capital no Irão e amplamente utilizado no passado em casos de pena de morte.

“Vários manifestantes cujas acusações são consistentes com moharebeh serão em breve enviados a tribunal”, afirmou.

Grupos de direitos humanos afirmaram que centenas, e potencialmente um número ainda maior, foram mortos nos protestos.

A mídia estatal iraniana informou que dezenas de membros das forças de segurança foram mortos nas mãos de “desordeiros”.

O Irão é o carrasco mais prolífico do mundo, depois da China, segundo grupos de defesa dos direitos humanos. No ano passado, enforcou pelo menos 1.500 pessoas, disse o grupo iraniano de direitos humanos (IHR), com sede na Noruega.

Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos de 2022 a 2023, de acordo com o IHR. Outras 12 pessoas foram executadas sob a acusação de espionagem para Israel desde a guerra em junho entre os dois inimigos.

“Crescem as preocupações de que as autoridades irão mais uma vez recorrer a julgamentos rápidos e execuções arbitrárias para esmagar e dissuadir a dissidência”, afirmou a Amnistia Internacional.

É “extremamente preocupante ver declarações públicas de alguns funcionários judiciais indicando a possibilidade de a pena de morte ser utilizada contra manifestantes através de processos judiciais acelerados”, acrescentou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.

O IHR disse temer que a República Islâmica “tente conduzir julgamentos rápidos sem observar os padrões de julgamento justo para os manifestantes detidos”.

Destacou o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, que foi preso na semana passada na cidade satélite de Karaj, em Teerão, e que, segundo uma fonte familiar, já foi condenado à morte e deverá ser executado já na quarta-feira.

Não está claro quais são as acusações contra ele e o caso não foi noticiado pela mídia estatal.

A Anistia disse que também estava ciente de relatos de que ele poderia ser executado já na quarta-feira.

“A comunidade internacional deve apelar urgentemente às autoridades iranianas para que suspendam imediatamente todas as execuções, incluindo Erfan Soltani”, afirmou a Amnistia, acrescentando ter tido conhecimento de que a sua família foi informada na segunda-feira de que ele tinha sido condenado à morte.

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