O mundo enfrenta uma “falência” irreversível da água, com milhares de milhões de pessoas a lutarem para lidar com as consequências de décadas de utilização excessiva, bem como com a diminuição do abastecimento de lagos, rios, glaciares e zonas húmidas, afirmaram investigadores da ONU na terça-feira.
Quase três quartos da população mundial vive em países classificados como “inseguros em termos de água” ou “criticamente inseguros em termos de água”, e 4 mil milhões de pessoas enfrentam grave escassez de água pelo menos um mês por ano, alertou num relatório o Instituto Universitário das Nações Unidas para a Água, o Ambiente e a Saúde.
“Muitas regiões vivem além das suas capacidades hidrológicas e muitos sistemas hídricos críticos já estão falidos”, disse Kaveh Madani, principal autor e diretor do instituto.
“Ao reconhecer a realidade da falência da água, podemos finalmente tomar decisões difíceis que protegerão as pessoas, as economias e os ecossistemas”, disse ele.
O relatório afirma que o abastecimento de água “já se encontra num estado de falha pós-crise”, após décadas de taxas de extracção insustentáveis que reduziram as “poupanças” de água contidas em aquíferos, glaciares, solos, zonas húmidas e ecossistemas fluviais, com abastecimentos também degradados pela poluição.
Mais de 170 milhões de hectares de terras agrícolas irrigadas estão sob pressão hídrica “alta” ou “muito alta”, disse Madani.

