De Phil Collins para Ringo Starrmuitos dos músicos mais habilidosos demonstraram a habilidade de tocar bateria enquanto cantam.
Agora, um estudo revelou que os chimpanzés também possuem essa habilidade.
Cientistas da Universidade de Kyoto foram presenteados com uma apresentação musical espontânea de Ayumu, um chimpanzé de 26 anos.
O macho removeu as tábuas do piso de uma passarela antes de usá-las para tamborilar nas paredes de sua jaula.
Surpreendentemente, o chimpanzé emitia “sons complexos e estruturados” enquanto tocava bateria – semelhante à canção humana.
Embora Ayumu já tenha sido visto tocando bateria antes, esta é a primeira vez que ele é gravado cantando simultaneamente.
Yuko Hattori, primeira autora do estudo, descreveu as descobertas como “fascinantes”.
“Foi fascinante para mim ver como o chimpanzé usava ferramentas para produzir vários sons e ao mesmo tempo expressar uma apresentação vocal”, disse ela.
Cientistas da Universidade de Kyoto foram presenteados com uma apresentação musical espontânea de Ayumu, um chimpanzé de 26 anos
Pesquisas anteriores sugeriram que a música pode ter evoluído como uma forma de externalizar a expressão emocional, através da vocalização combinada com ferramentas.
No entanto, provar isso continua sendo difícil.
Instrumentos de percussão antigos tendem a ser feitos com materiais como madeira ou peles de animais, que são perecíveis – tornando difícil encontrar evidências arqueológicas.
No entanto, os pesquisadores afirmam que as performances de Ayumu podem ajudar a finalmente desvendar o mistério da evolução da música.
Primeiramente, a equipe gravou as “atuações” do chimpanzé e começou a dividi-las em elementos, como golpear, arrastar e arremessar.
Eles então usaram a “análise de transição” para avaliar as conexões entre esses elementos.
Por fim, a equipe analisou os intervalos entre as batidas e comparou a estabilidade rítmica do uso da ferramenta com o ritmo da batida executada com as mãos ou os pés.
Os resultados revelaram que as atuações de Ayumu não foram aleatórias.
O macho removeu as tábuas do piso de uma passarela antes de usá-las para tamborilar nas paredes de sua jaula
Em vez disso, os intervalos entre suas batidas mantinham um ritmo constante – muito parecido com um metrônomo.
“Na verdade, o uso de ferramentas para golpear produziu um ritmo mais estável do que apenas as mãos ou os pés”, disseram os pesquisadores.
Além disso, a equipe estudou as expressões faciais de Ayumu durante suas apresentações.
Isto revelou que ele tendia a usar ‘play face’ enquanto emitia os sons – indicando emoções positivas.
“Essas expressões normalmente não são relatadas em exibições vocais, sugerindo que expressões emocionais anteriormente transmitidas vocalmente podem ter sido externalizadas e desenvolvidas em sons de ferramentas”, acrescentaram os especialistas.
No geral, as descobertas sugerem que os primatas não humanos são capazes de cantar e tocar instrumentos, tal como os humanos.
Os investigadores esperam agora analisar as reações de outros chimpanzés à música de Ayumu, para compreender o seu poder num grupo social.