A população de Itália estabilizou após 12 anos de declínio, com a imigração a compensar quase totalmente a diminuição do número de nascimentos, enquanto a esperança de vida continua a aumentar, informou a agência nacional de estatísticas ISTAT na terça-feira.
Dados preliminares mostraram que a população residente era de 58,94 milhões em 1º de janeiro deste ano, praticamente inalterada em relação ao ano anterior, informou o ISTAT no seu relatório demográfico anual.
“A Itália continua a ser um país onde apenas um saldo migratório muito positivo pode compensar uma mudança natural largamente negativa e onde a população continua a envelhecer”, afirmou o gabinete de estatísticas.
Sem fluxos sustentados de migrantes, a população voltará a diminuir, intensificando as pressões a longo prazo sobre o mercado de trabalho e as finanças públicas, acrescentou.
O afluxo de imigrantes ocorreu sob o governo de direita do primeiro-ministro Giorgia Meloni, que adotou uma linha dura em relação aos migrantes sem documentos, ao mesmo tempo que aumentou os vistos de trabalho para cidadãos de países terceiros.
NASCIMENTOS CAEM PARA UM NOVO RECORDE BAIXO
Os nascimentos caíram para 355 mil em 2025, uma queda de 3,9% em relação ao ano anterior, para um novo recorde mínimo desde a unificação do país em 1861, enquanto as mortes se mantiveram praticamente estáveis em 652 mil, gerando um saldo negativo de perto de 300 mil pessoas.
A fecundidade caiu ainda mais para uma média de 1,14 filhos por mulher, um dos níveis mais baixos da Europa e bem abaixo da taxa de substituição de 2,1, reflectindo o atraso na parentalidade e um número cada vez menor de potenciais pais.
A imigração líquida situou-se em 296 mil, com as chegadas do estrangeiro a atingirem 440 mil, enquanto a emigração caiu drasticamente para 144 mil, o nível mais baixo registado na última década.
A população residente estrangeira aumentou em 188.000 para 5,56 milhões.
A esperança de vida aumentou ainda mais após os anos de pandemia da COVID-19, atingindo 81,7 anos para os homens e 85,7 para as mulheres, colocando a Itália entre os países com vida mais longa da União Europeia, disse o ISTAT.