Em algum momento, os fãs de boxe terão que enfrentar uma verdade incômoda – chamar Shakur Stevenson de “chato” faz muito mais do que o público. Novo campeão superleve WBO.
Narrativas preguiçosas acompanham Stevenson há anos. Já foi chamado de corredor, de spoiler, de técnico que não diverte. Esse som só fica mais alto à medida que os palcos ficam maiores. Mas o que os fãs tendem a confundir, ou ignorar totalmente, é a diferença entre passividade e domínio.
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Stevenson não está concorrendo. Ele está controlando as lutas.
Ele não luta como Floyd Mayweather Jr., fica preso atrás da guarda alta e depende apenas da defesa. Stevenson está sentado no bolso. Ele está próximo. Ele convida a trocas, erra os oponentes por centímetros, depois os pune com socos mais limpos e certeiros e não recebe quase nada em troca. Defesa não é evitação quando está associada a dano, tempo e autoridade.
Essa foi a diferença Em plena exibição no sábado à noite em Nova York contra Teofimo LopezUma luta que revela o quão tênue é realmente o argumento “chato”. Stevenson tirou a explosividade de Lopez, interrompendo seu ritmo e forçando-o a estender a mão e atacar. Nos rounds intermediários, Lopez carregava e balançava no ar, enquanto Stevenson acumulava calmamente os rounds com precisão e controle.
Após a luta, Stevenson esclareceu que nada na atuação foi acidental.
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“Foi uma noite incrível. Continuei trabalhando, fui disciplinado, estava em ótima forma”, disse ele na coletiva de imprensa pós-luta. “(Lopez) é um grande lutador, mas eu fui o melhor homem esta noite.”
Não houve sobrevivência ou evasão. Tratava-se da pena de morte.
Stevenson também detalha como a luta se desenrolou depois que ele se acomodou no ritmo.
“Eu definitivamente quebrei (Lopez)”, ele admitiu. “Acho que ele é um lutador, então ele tentou revidar, mas eu o desmontei.”
Não foi corajoso. Era um lutador de classe mundial explicando como ele resolvia problemas em tempo real – e como levou menos de seis minutos para saber exatamente como seria o resto da noite.
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“No segundo round, eu disse ao meu corner que era mais forte que ele”, disse Stevenson.
Essa percepção molda tudo o que se segue. Assim que Stevenson reconheceu sua vantagem física, ele parou de forçar as trocas e, em vez disso, deixou a luta chegar até ele, contra-atacando com intenção e acertando socos mais significativos. Lopez foi forçado a perseguir, reiniciar e alcançar, enquanto Stevenson ditava o ritmo e a geografia da luta.
Isso não está acontecendo. Isso é propriedade.
O que Stevenson continua a revelar é um grande problema entre os fãs do boxe moderno. Muitos espectadores equiparam entretenimento ao caos. Se os socos não forem violentos ou as trocas imprudentes, presume-se que nada está acontecendo. Mas o boxe em seu nível mais alto nunca foi uma questão de volume por volume. É tudo uma questão de controle, posicionamento e deixar o outro lutador desconfortável por 36 minutos.
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Stevenson não precisou brigar para provar sua superioridade. Ele provou isso ao vencer o round de forma decisiva, ditando onde as trocas aconteciam e forçando um ex-campeão mundial unificado a lutar em seu ritmo. A ironia é que muitos dos mesmos fãs que o criticam agora irão saudar esta performance daqui a alguns anos como uma masterclass.
Stevenson entende o momento em que se encontra. Ele admite que essa luta não foi fácil e está aguardando a oportunidade.
“Tenho ligado para as pessoas”, disse Stevenson. “Tenho implorado por este momento e finalmente conseguimos.”
Você não precisa amar o estilo. Você não precisa torcer por isso. Mas fingir que é chato porque os oponentes não conseguem acertá-lo é uma análise preguiçosa. Stevenson não é passivo. Ele é específico. Ele não é a defesa em primeiro lugar. Ele é o primeiro a controlar.
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Há uma diferença entre um lutador que evita o combate e aquele que torna o combate inútil para o oponente. Shakur Stevenson é firmemente deste último.
E quer os fãs gostem ou não, ele está forçando o boxe a reaprender como realmente é o verdadeiro domínio.
