Escorpiões amarelos (Tityus serrulatus) são retratados no biotério de artrópodes do Instituto Butantan, em São Paulo, Brasil, em 2 de outubro de 2024. Apenas pequenas pinças separam os trabalhadores do Instituto Butantan do animal mais letal do Brasil, o escorpião amarelo, responsável por um aumento crescente número de mortes no gigante sul-americano. A perda de seu habitat natural nas florestas, a expansão das cidades brasileiras e os invernos cada vez mais quentes tornaram esse aracnídeo venenoso um problema crescente para as autoridades de saúde. Foto: AFP
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Escorpiões amarelos (Tityus serrulatus) são retratados no biotério de artrópodes do Instituto Butantan, em São Paulo, Brasil, em 2 de outubro de 2024. Apenas pequenas pinças separam os trabalhadores do Instituto Butantan do animal mais letal do Brasil, o escorpião amarelo, responsável por um aumento crescente número de mortes no gigante sul-americano. A perda de seu habitat natural nas florestas, a expansão das cidades brasileiras e os invernos cada vez mais quentes tornaram esse aracnídeo venenoso um problema crescente para as autoridades de saúde. Foto: AFP
Esqueça as cobras, são os escorpiões com os quais os brasileiros mais precisam se preocupar.
Os aracnídeos – temidos pelo ferrão tóxico colocado sobre suas caudas – estão proliferando graças à urbanização e ao aumento das temperaturas.
O resultado é que os escorpiões se tornaram o animal venenoso mais letal do Brasil, representando um perigo crescente para as pessoas em todo o país – e estimulando a procura por antiveneno.
A espécie mais encontrada no país, o escorpião amarelo brasileiro, é o escorpião mais perigoso da América do Sul.
Excepcionalmente para os escorpiões, esta espécie exclusivamente feminina também se reproduz assexuadamente, reduzindo as opções de controle populacional.
“Com um habitat aquecido, o metabolismo desses animais também está aquecendo, então eles ficam mais ativos, comendo mais e se reproduzindo mais”, explicou Thiago Chiariello, coordenador de produção do laboratório de soro antiveneno para escorpiões do Instituto Butantan, em São Paulo.
Acrescente-se a isso a urbanização desenfreada que afugenta os predadores naturais dos escorpiões, como lagartos e pássaros, ao mesmo tempo que aumenta o número de baratas disponíveis – refeições saborosas para os aracnídeos – e o problema é evidente.
“As cidades estão crescendo descontroladamente” e a disseminação do lixo que trazem significa mais abastecimento de alimentos para os escorpiões, disse Chiariello.
“Isso está levando a mais contato com as pessoas, o que significa mais acidentes”.
Números crescentes de picadas
No ano passado – o último conjunto de dados disponível – houve 152 mortes por picadas de escorpião no Brasil, em comparação com 140 por picadas de cobra. Um aumento em relação a 2019, quando foram registradas 95 mortes por picada de escorpião.
De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, houve mais de 200.000 incidentes com picadas de escorpião registrados no ano passado – 250% a mais do que uma década antes, e uma média de quase 550 picadas por dia.
Adultos saudáveis podem apresentar sintomas leves a moderados devido à picada do escorpião amarelo brasileiro, incluindo dor, vômito, sudorese profusa e tremores.
Mas existem sintomas mais graves – incluindo choque, acumulação de líquidos nos pulmões, colapso cardiovascular e insuficiência cardíaca – que podem ser mortais, especialmente para crianças e idosos.
Antiveneno que salva vidas
Isso torna o antiveneno do Instituto Butantan muito importante.
A equipe de Chiariello realiza sua tarefa de produção de soro com extrema precisão.
Eles primeiro usam uma pinça para guiar o ferrão de um escorpião vivo para dentro de um recipiente.
O veneno é então injetado em cavalos, que são menos vulneráveis aos efeitos da toxina do que os humanos e produzem mais anticorpos.
“Há todo um processo de purificação no sangue dos cavalos”, explica Paulo Goldoni, biólogo do instituto.
“O soro é a única maneira de salvar vidas”, disse ele.
No ano passado, mais de 11.000 pessoas no Brasil receberam antiveneno contra escorpiões, principalmente no sudeste densamente povoado do país, de acordo com as autoridades.
Com o crescimento da demanda por soro, mas também do número de escorpiões disponíveis, o Instituto Butantan tem uma oferta constante de doadores de veneno.
“Se algum dia houvesse falta de soro, certamente veríamos um sério aumento no número de mortes”, disse o biólogo.



