A contagem dos votos continua para determinar quem se juntará à conservadora Keiko Fujimori no segundo turno presidencial do Peru, em junho.
Publicado em 17 de abril de 2026
Os apelos para destituir o chefe da autoridade eleitoral do Peru intensificaram-se à medida que atrasos e alegadas irregularidades obscureciam a contagem dos votos presidenciais.
Até sexta-feira, nenhum adversário claro surgiu para enfrentar a favorita conservadora Keiko Fujimori no segundo turno de 7 de junho.
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As eleições gerais foram realizadas no domingo, mas foi concedida uma prorrogação para acomodar as dificuldades na distribuição dos votos.
A pressão aumentou contra o chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru, Piero Corvetto. As reclamações sobre erros e problemas logísticos durante as eleições de domingo foram agravadas por uma contagem lenta que abalou a confiança dos investidores e aumentou a incerteza.
De acordo com a ONPE, o esquerdista Roberto Sanchez e o ultraconservador ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga continuam em uma batalha acirrada pelo segundo lugar, separados por cerca de 13 mil votos até sexta-feira.
Com 93,3 por cento dos votos contados, Sanchez detinha 12,0 por cento dos votos e López Aliaga 11,9 por cento.
Enquanto isso, Fujimori permaneceu firmemente em primeiro lugar com 17 por cento, posicionando-a para o segundo turno. Os resultados finais podem levar até duas semanas, de acordo com o grupo local de monitoramento eleitoral Transparencia.
A contagem dos votos foi ainda mais atrasada pelos cerca de 5% de cédulas que foram identificadas para revisão devido à falta de informações ou erros nos registros das assembleias de voto, de acordo com dados do ONPE. Essas cédulas serão analisadas por um júri eleitoral especial antes de serem incluídas na contagem final, disseram as autoridades.
Líderes empresariais e legisladores de todo o espectro político apelaram à renúncia de Corvetto, argumentando que um substituto deveria supervisionar o segundo turno.
“Erros tão graves têm consequências”, disse Jorge Zapata, chefe da câmara empresarial CONFIEP, à estação de rádio local RPP.
No início desta semana, Corvetto reconheceu que houve alguns atrasos logísticos que forçaram a prorrogação da votação por um dia, principalmente em Lima. Esses atrasos desencadearam alegações de fraude, nomeadamente de López Aliaga, que apelou à suspensão da contagem. Corvetto negou a ocorrência de qualquer irregularidade.
Mesmo assim, o principal tribunal eleitoral do Peru, o Júri Nacional de Eleições, apresentou uma queixa-crime aos procuradores contra Corvetto, citando alegadas ofensas, incluindo violações dos direitos de voto. Representantes do Corvetto não responderam imediatamente a um pedido de comentários da Reuters.
Uma investigação também está em andamento depois que materiais de quatro assembleias de voto foram encontrados em uma via pública de Lima na quinta-feira, disse a polícia. O ONPE informou na plataforma de mídia social X que os votos dessas emissoras já foram registrados para contagem.
Os observadores eleitorais da União Europeia disseram esta semana que não encontraram nenhuma evidência de fraude.