O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, reforçou na quarta-feira a sua oposição ao ataque ao Irão por parte dos EUA e de Israel, alertando que o conflito corre o risco de jogar “roleta russa” com a vida de milhões de pessoas.
Sánchez respondia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado cortar o comércio com Madrid devido à sua posição no conflito.
“É assim que começam os grandes desastres da humanidade… Não se pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, disse Sánchez num discurso transmitido pela televisão à nação.
As tensões entre os dois aliados da NATO aumentaram depois de Sanchez ter denunciado os bombardeamentos norte-americanos e israelitas ao Irão como imprudentes e ilegais, e mais tarde proibir aeronaves norte-americanas de utilizar bases navais e aéreas no sul de Espanha para a ofensiva contra Teerão.
Sanchez disse que o mundo não poderia resolver os seus problemas com conflitos e bombas.
“A posição do governo espanhol pode ser resumida em quatro palavras: ‘Não à guerra'”, disse ele, acrescentando que a posição não era falsa, mas coerente.
“Não seremos cúmplices de algo que é mau para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, disse Sánchez, parecendo fazer referência às ameaças comerciais de Trump.
Sanchez destacou os efeitos negativos da guerra no Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até ao aumento dos preços da energia, para argumentar que as consequências deste ataque ao Irão eram igualmente nebulosas e que não levaria a uma ordem internacional mais justa.
