A Ucrânia não trairá os sacrifícios feitos pelo seu povo em quatro anos de guerra apenas para fazer a paz com a Rússia, prometeu ontem o presidente Volodymyr Zelensky, enquanto as divisões entre os seus principais aliados ofuscavam as comemorações do início do conflito.
Os países europeus esperavam chegar a acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Rússia, bem como um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, mas a Hungria, que mantém laços estreitos com Moscovo, manteve na segunda-feira o seu veto a ambos.
A Hungria e a vizinha Eslováquia acusam Kiev de bloquear deliberadamente o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que a Ucrânia diz estar a tentar reparar após um ataque russo no mês passado.
Zelensky recebeu em Kiev dignitários da Europa Ocidental, incluindo a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para cerimónias que assinalaram o aniversário da invasão em grande escala da Rússia, em 24 de Fevereiro de 2022. Mas, ao contrário dos anos anteriores, não eram esperados grandes líderes ocidentais.
“Putin não alcançou os seus objetivos. Ele não quebrou o povo ucraniano. Ele não ganhou esta guerra”, disse Zelensky num discurso matinal, estendendo um convite ao presidente dos EUA, Donald Trump, para vir a Kiev: “Só visitando a Ucrânia e vendo as nossas vidas e lutas com os seus próprios olhos… é que se pode entender o que realmente é esta guerra.”
A Rússia ainda não alcançou todos os seus objectivos de guerra na Ucrânia e continuará a lutar até o conseguir, disse ontem o Kremlin. “Os objetivos ainda não foram totalmente alcançados, e é por isso que a operação militar continua”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas em resposta a uma pergunta da AFP.
O chefe da OTAN, Mark Rutte, alertou que os aliados ocidentais da Ucrânia devem aumentar a “ajuda militar, financeira e humanitária” se Kiev quiser prevalecer contra a Rússia.
Centenas de milhares de soldados de ambos os lados morreram ou ficaram feridos no conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. As forças russas também mataram dezenas de milhares de civis ucranianos e destruíram cidades ucranianas com anos de ataques com mísseis e drones.
