
Nenhum país sul-americano jamais ganhou uma medalha nas Olimpíadas de Inverno. Dois atletas esperam mudar isso no sábado.
O esquiador alpino Lucas Pinheiro Brathen, nascido em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, está em segundo lugar no mundo no slalom gigante e no slalom. As competições estão programadas para acontecer no sábado e na segunda-feira, como parte dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão Cortina.
Nicole Rocha Silvera, que nasceu no extremo sul do Brasil e se mudou para o Canadá aos 7 anos, ocupa a nona posição no ranking mundial de esqueleto feminino. Ele conquistou três pódios em corridas da Copa do Mundo nas últimas duas temporadas e ficou em quarto lugar no Campeonato Mundial de 2025.
Ele compete em Cortina d’Ampezzo às sextas e sábados, onde o medalhista é determinado em quatro corridas (duas por dia).
Pinheiro Brathen e Silveira carregaram bandeiras brasileiras em vários pontos durante a cerimônia de abertura na semana passada.
Embora ambos tenham aprendido o jogo no Hemisfério Norte, cada um deles usa com orgulho as cores brasileiras.
Pinheiro Brathen era líder mundial no slalom, na época esquiando pela Noruega, sua terra natal, quando se aposentou surpreendentemente aos 23 anos – dois dias antes do início da temporada 2023-24. Em uma coletiva de imprensa chorosa, ele aludiu a um conflito de longa data com a Federação Norueguesa de Esqui sobre os direitos de marketing dos atletas.
Pinheiro Brathen reservou passagem só de ida para o Brasil, país que visitava anualmente quando criança. Ele ficou preso em Ilhabela, uma ilha perto de São Paulo. Depois de algum tempo, decidiu que queria se aposentar e esquiar para o Brasil, onde foi dispensado da Federação Norueguesa.
“Me apaixonei pelo esporte lá (jogar futebol nas ruas de São Paulo), então poder fechar o círculo, poder representá-los na Copa do Mundo em um esporte, significa muito mesmo”, disse ele em 2024.
Quando Pinheiro Brathen se tornou o primeiro esquiador brasileiro a subir ao pódio da Copa do Mundo Alpina em 2024, ele começou a sambar na neve do Colorado. Quando venceu a Copa do Mundo em novembro passado, gritou “Vamos Brasil!” Em uma câmera local finlandesa, é transmitido o hino nacional, “Himno Nacional Brasileiro”. Bandeira do Brasil pintada dentro do Círculo Polar Ártico da Finlândia em seu pescoço
“A Noruega me ensinou como ser atleta, como enfrentar o frio”, diz Pinheiro Brathen. “O Brasil me ensinou a ser eu mesmo.”
Silvera também se destaca no esporte. Ele corre em esqueleto – onde os atletas mergulharam de cabeça na mesma rampa de gelo que os bobsledders e lugers.
Silvera, que também trabalhou como enfermeira no Alberta Children’s Hospital, em Calgary, compete de capacete com a obra de arte de um papagaio brasileiro usando um estetoscópio.
Sua família não deveria acabar no Canadá.
“Lembro que eles estavam pesquisando no Google a melhor cidade para morar, e a primeira coisa que apareceu foi Miami”, disse Silveira em 2024. Em 2024 “Meu pai foi sozinho para Miami só para encontrar algum tipo de oportunidade.
Em 2017, ele era fisiculturista e trabalhava em uma loja de suplementos quando conversou com um cliente que fazia parte da seleção brasileira de bobsled que treinava em Calgary. Uma coisa levou à outra e ele mergulhou no esporte irmão do bobsled, o esqueleto.
Em 2022, ficou em 13º lugar em sua estreia olímpica, o segundo melhor resultado de um brasileiro em qualquer prova olímpica de inverno. O melhor de Isabelle Clarke foi o nono lugar no snowboard cross em 2006.
“Acho que os oito primeiros seriam incríveis”, disse Silvera nos Jogos Cortina de Milão em 2024. “É claro que todos sonhamos com essa medalha”.