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Joan Laporta renunciou ao cargo de presidente do FC Barcelona na segunda-feira, mas a sua mudança não é repentina: é estratégica.

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A renúncia de Joan Laporta não é repentina, mas sim estratégica (AFP)

A renúncia de Joan Laporta não é repentina, mas sim estratégica (AFP)

A renúncia de Joan Laporta na segunda-feira não foi uma mudança dramática ou uma reação à crise. Em vez disso, foi uma decisão calculada e baseada na lei, destinada a mantê-lo no poder – permitindo-lhe concorrer novamente.

Laporta, que dirige o FC Barcelona desde março de 2021, afastou-se para ativar o processo eleitoral do clube e cumprir um requisito legal fundamental estabelecido nos estatutos do clube.

O estatuto que forçou a mudança

A decisão centra-se Artigo 42.f dos estatutos de Barcelona. De acordo com esta regra, um presidente em exercício deve renunciar antes de ser elegível para se candidatar à reeleição. Ao renunciar formalmente, Laporta eliminou o único obstáculo legal que o impedia de disputar novamente a presidência.

Em termos simples, ele renunciou para concorrer.

Por que o tempo é importante

O Barcelona não enfrenta uma emergência desportiva ou financeira imediata, mas o clube está a meio da temporada e aproxima-se do fim do mandato de Laporta. A convocação de eleições cria agora uma transição controlada, em vez de uma transição apressada ou desestabilizadora no final do ano.

Também permite que Laporta procure um novo mandato, ao mesmo tempo que aponta a recuperação económica e a estabilidade no terreno como prova do progresso sob a sua liderança.

Liberando Laporta para campanha

A demissão elimina as restrições institucionais. Laporta pode agora fazer campanha como cidadão privado e não como presidente em exercício, apelando diretamente aos membros e respondendo a rivais como Víctor Font, Xavi Vilajoana e Marc Ciria sem as limitações impostas pelo cargo.

O que acontece com o conselho?

A renúncia de Laporta desencadeou automaticamente a saída de oito membros de sua diretoria executiva, conforme exigido pelas regras do clube. Isto, no entanto, é mais processual do que político. Caso Laporta vencesse em março, esses mesmos números retornariam após ratificação pela Assembleia de Delegados, uma vez que não são eleitos individualmente.

Liderança Interina e Continuidade

O primeiro vice-presidente, Rafa Yuste, assumiu o cargo de presidente interino até 30 de junho. Aliado de confiança de Laporta e chefe do departamento esportivo, o papel de Yuste garante a continuidade e minimiza interrupções durante o período eleitoral.

A intenção por trás da renúncia

Laporta deixou claro o seu objetivo: continuar.

Ele acredita que a sua direcção estabilizou economicamente o Barcelona, ​​restaurou a competitividade e reconectou o clube com os seus adeptos. A demissão, então, não é uma saída – mas uma reinicialização, destinada a garantir a aprovação para concluir e ampliar o seu projeto.

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