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Abbas Araghchi disse que o Irão tem pouca confiança em Washington e questionou se os EUA levam a sério a renovação das negociações nucleares.

Os negociadores liderados pelos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner observam as operações de voo no convés do porta-aviões da classe Nimitz USS Abraham Lincoln (CVN-72) no Mar da Arábia.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, insistiu no domingo que Teerã nunca desistirá do enriquecimento de urânio, dizendo que o país não se deixará intimidar pela presença militar dos Estados Unidos na região.
Falando num fórum em Teerã, Araghchi disse AFP que o Irão tem pouca confiança em Washington e questionou se os EUA levam a sério a renovação das negociações nucleares. Ele acrescentou que Teerã está consultando seus “parceiros estratégicos” China e Rússia nas negociações.
“Por que insistimos tanto no enriquecimento e nos recusamos a desistir dele, mesmo que uma guerra nos seja imposta? Porque ninguém tem o direito de ditar o nosso comportamento”, disse ele. “O seu destacamento militar na região não nos assusta”, acrescentou, referindo-se à chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Mar Arábico.
Os EUA e o Irão reabriram conversações na sexta-feira em Omã, pela primeira vez desde a guerra de 12 dias de Israel com o Irão, em junho do ano passado. O Irão procura a remoção das sanções económicas dos EUA em troca do que Araghchi descreveu como “uma série de medidas de criação de confiança relativamente ao programa nuclear”.
As nações ocidentais e Israel acusaram o Irão de procurar armas nucleares, o que Teerão nega. “Eles temem a nossa bomba atómica, enquanto nós não estamos à procura de uma. A nossa bomba atómica é o poder de dizer ‘não’ às grandes potências”, disse Araghchi.
Hoje cedo, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, classificou o programa do Irão como “um claro perigo para a paz”.
Negociadores dos EUA, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner, visitaram o USS Abraham Lincoln no sábado. Os militares dos EUA disseram que a presença do porta-aviões visa “defender a mensagem de paz do presidente Trump através da força”.
Apesar das negociações, as tensões permanecem altas. O presidente dos EUA, Trump, classificou as negociações como “muito boas”, enquanto o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, disse que eram “um passo em frente”.
Os EUA também impuseram novas sanções a entidades marítimas e navios ligados às exportações de petróleo do Irão.
Araghchi alertou que a continuação das sanções e medidas militares levanta dúvidas sobre o compromisso de Washington com a diplomacia. “Estamos monitorando a situação de perto, avaliando todos os sinais e decidiremos sobre a continuação das negociações”, afirmou.
As negociações e a pressão militar ocorrem em meio à repressão do Irã aos protestos que começaram em dezembro passado, que as autoridades dizem ter matado mais de 3.100 pessoas, embora grupos independentes estimem um número de vítimas muito maior.
(Com informações da AFP)
08 de fevereiro de 2026, 22h40 IST
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