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Borja Iglesias enfrentou abusos homofóbicos depois de pintar as unhas – um episódio que expôs uma verdade que o futebol conhece muito bem: abusos como esse não são raros. É rotina.

Torcedores de Borja Iglesias e Celta Vigo solidários com unhas pintadas (Celta Vigo/X)
O futebol adora se chamar “o belo jogo”. Numa noite em Vigo, fez jus ao nome.
O que deveria ter sido um jogo rotineiro da La Liga entre Celta Vigo e Rayo Vallecano transformou-se numa posição silenciosa e poderosa contra a homofobia.
Sem bandeiras. Sem discursos. Basta colorir as unhas e uma mensagem impossível de perder.
A centelha foi Borja Iglesias. Uma semana antes, em Sevilha, o atacante do Celta foi alvo de abusos homofóbicos por pintar as unhas. Iglesias, que nunca fica calado, respondeu online com sarcasmo agudo: “Que estranho, isso nunca acontece no futebol”.
A La Liga condenou. O Sevilla apoiou a postura. Mas o episódio expôs uma verdade que o futebol conhece muito bem: abusos como esse não são raros. É rotina.
Já tínhamos visto isso acontecer ao vivo na televisão. Aitor Ruibal, do Real Betis, foi questionado com a mesma calúnia durante uma entrevista pós-jogo. Sua resposta foi mais profunda do que qualquer resposta: “Não importa, isso acontece comigo em todas as partidas”.
Ruibal, Iglesias e Hector Bellerin – todos ex-companheiros do Betis – desafiaram consistentemente as rígidas ideias de masculinidade do futebol. E pagaram por isso com zombaria, abuso e indiferença.
Desta vez, porém, a resposta foi diferente.
A torcida do Celta, Carcamans Celestes, pediu aos torcedores que pintassem as unhas em solidariedade ao jogo do Rayo. Milhares o fizeram. Os jogadores também. E o clube não apenas permitiu isso – eles amplificaram isso.
“Trata-se de valores”, disse um porta-voz do Celta. “Respeito e igualdade não são negociáveis. O futebol deve ser um lugar onde as pessoas possam ser elas mesmas sem medo.”
Essa mensagem é importante porque o problema é maior do que um incidente. Um recente Futebol fora e fora A pesquisa descobriu que quase três quartos dos torcedores LGBTQ+ sofreram ou ouviram abusos anti-LGBTQ+ enquanto assistiam ao futebol masculino. Mais de 90% acreditam que sua experiência melhoraria se o jogo levasse a homofobia a sério. E 93% dizem que uma punição mais forte faria uma diferença real.
Então não, isso não foi um truque. Foi uma linha traçada.
Naquela noite nos Balaidos o futebol não só entretinha. Ele escolheu o que representa.
Para todos que pensam o contrário, eis tudo o que tenho a dizer: deixem o belo jogo permanecer o mesmo. Joga Bonito.
08 de fevereiro de 2026, 21h01 IST
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