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Acredita-se que o Poseidon seja implantado a partir de submarinos nucleares especializados, principalmente o submarino Belgorod, descrito como o submarino mais longo já construído
A arma foi supostamente projetada para transportar uma ogiva nuclear com um rendimento muito superior ao usado durante a Segunda Guerra Mundial. (Reuters)
O que começa como um trecho calmo do oceano pode, em teoria, se transformar em uma catastrófica parede de água que se eleva a centenas de metros de altura, mais alta que a Torre Eiffel, em poucos minutos. Este cenário é frequentemente citado por analistas militares ao descreverem o Poseidon, o drone subaquático movido a energia nuclear da Rússia, frequentemente rotulado como uma “arma do Juízo Final” nas avaliações de defesa ocidentais.
Poseidon, também conhecido pelo nome de desenvolvimento Status-6, é um torpedo autônomo movido a energia nuclear projetado para detonar no fundo do mar, perto da costa de um adversário. Especialistas em defesa dizem que tal explosão poderia provocar inundações radioativas massivas, tornando grandes áreas costeiras inabitáveis durante gerações. Ao contrário dos torpedos convencionais, o Poseidon não é lançado para combate naval de curto alcance, mas pretende ser uma arma estratégica destinada à dissuasão através da capacidade destrutiva absoluta.
O presidente russo, Vladimir Putin, revelou publicamente a existência do Poseidon pela primeira vez em 2018, descrevendo-o como parte de uma nova geração de armas concebidas para contornar os sistemas de defesa antimísseis. Em 2026, tanto os meios de comunicação estatais russos como os analistas independentes descreveram o sistema como um elemento central da postura nuclear naval da Rússia, particularmente no contexto da capacidade de segundo ataque.
Analistas militares dizem que Poseidon confunde as definições tradicionais de submarinos e torpedos. Alimentado por um reator nuclear, acredita-se que tenha um alcance quase ilimitado e a capacidade de operar de forma autônoma por longos períodos em profundidades que supostamente atingem cerca de 1.000 metros, bem abaixo do alcance efetivo da maioria dos sistemas de sonar e de detecção anti-submarino existentes. Algumas estimativas sugerem que ele poderia viajar a velocidades extremamente altas debaixo d’água, complicando os esforços de interceptação.
A arma foi supostamente projetada para transportar uma ogiva nuclear com um rendimento muito superior ao usado durante a Segunda Guerra Mundial. Embora as alegações de tsunamis de 500 metros de altura permaneçam teóricas e contestadas entre os cientistas, os especialistas concordam que uma grande detonação nuclear subaquática perto de uma importante linha costeira poderia causar inundações catastróficas combinadas com contaminação radioactiva de longa duração.
Acredita-se que o Poseidon seja implantado a partir de submarinos nucleares especializados, principalmente o submarino Belgorod, descrito como o maior submarino já construído. O Belgorod é supostamente capaz de transportar vários drones Poseidon e tem sido caracterizado por analistas como uma plataforma projetada especificamente para dissuasão estratégica, em vez de guerra convencional.
As autoridades de defesa ocidentais reconhecem que atualmente não existe um sistema dedicado para combater uma arma como o Poseidon. As arquitecturas de defesa antimísseis existentes nos Estados Unidos e na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concentram-se em ameaças que viajam pelo ar ou no espaço, e não em sistemas nucleares autónomos que operam em profundidades extremas do oceano. Como resultado, o Poseidon é amplamente visto como uma arma destinada a explorar uma lacuna crítica na atual tecnologia de defesa.
Analistas estratégicos dizem que o objetivo subjacente do Poseidon não é o uso no campo de batalha, mas a dissuasão. No caso de um ataque nuclear em grande escala à Rússia, o sistema foi concebido para garantir a retaliação, devastando a infra-estrutura costeira do adversário, transformando portos, cidades e centros económicos em terrenos baldios radioactivos. Ainda não se sabe se o Poseidon será utilizado em conflitos, mas a sua existência já remodelou os debates globais sobre a dissuasão nuclear e a guerra subaquática.
02 de fevereiro de 2026, 17h36 IST
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