A Venezuela quer aumentar a produção de petróleo em pelo menos 18 por cento este ano através de reformas que abrirão totalmente o setor aos investidores privados, disse no sábado o chefe da gigante petrolífera estatal PDVSA.
A presidente interina do país, Delcy Rodriguez, propôs as reformas legislativas na semana passada e estas foram aprovadas em primeira leitura na quinta-feira no parlamento, que é chefiado pelo seu irmão.
Analistas dizem que as reformas, que devem ser aprovadas na próxima semana, foram elaboradas sob pressão de Washington após o ataque militar dos EUA que derrubou o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
“Tínhamos uma lei… que não estava atualizada com o que precisávamos como indústria”, disse o chefe da PDVSA, Hector Obregon.
As reformas propostas na Lei dos Hidrocarbonetos actualizariam o quadro jurídico da indústria petrolífera “para garantir que os investidores privados possam ter segurança jurídica”, disse Obregon da refinaria de Puerto La Cruz, no leste da Venezuela.
O país sul-americano produz cerca de 1,2 milhão de barris por dia (bpd), segundo as autoridades, e detém cerca de um quinto das reservas mundiais de petróleo.
Anos de má gestão e corrupção reduziram a produção de um pico de mais de 3 milhões de bpd no início da década de 2000 para um mínimo histórico de 350.000 barris diários em 2020.
Se for aprovado, o projeto de lei reverteria décadas de controle estatal sobre o setor petrolífero da Venezuela, que foram reforçados pelo falecido mentor de Maduro, o incendiário socialista Hugo Chávez, em meados da década de 2000.
– Reconciliação com a oposição –
O presidente dos EUA, Donald Trump, não escondeu o seu interesse no petróleo da Venezuela. A sua administração declarou sem rodeios que está a assumir as vendas do petróleo bruto do país.
Rodriguez anunciou esta semana que o país recebeu uma transferência inicial de US$ 300 milhões após a venda de seu petróleo pelos Estados Unidos.
Ela também falou no sábado sobre iniciar um diálogo com o partido da oposição na Venezuela para alcançar um “bem comum”.
“Não pode haver diferenças políticas ou partidárias quando se trata de paz na Venezuela”, disse Rodriguez na televisão estatal, falando do estado costeiro de La Guaira.
“Apesar das nossas diferenças, devemos falar uns com os outros com respeito. Apesar das nossas diferenças, devemos unir-nos e chegar a acordos”, acrescentou.
A lei dos hidrocarbonetos estipula que as empresas privadas localizadas na Venezuela poderiam explorar petróleo após a assinatura de contratos, uma diferença marcante em relação ao domínio anterior do Estado sobre a exploração petrolífera do país.
“A ideia principal por trás da lei dos hidrocarbonetos e da sua reforma é aumentarmos a produção de petróleo”, disse o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodriguez.
“Qual é o objetivo principal? Adaptar-nos a uma situação que nos permita extrair o petróleo da terra que pertence a todas as mulheres e homens venezuelanos.”
