A cimeira climática COP30 chegou ao fim depois de duas semanas na cidade amazónica de Belém, onde protestos, marchas de rua e até um incêndio causaram momentos inesperados de drama.
Mas sob enormes tendas erguidas sobre um antigo aeroporto na orla da floresta tropical, as nações também adoptaram algumas decisões sobre como combater as alterações climáticas.
Aqui estão os principais resultados negociados e os compromissos voluntários assumidos durante a cimeira com a participação de quase 200 nações:
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
As questões mais espinhosas foram agrupadas num pacto de “mutirão” – o slogan da cimeira, extraído da palavra Tupi-Guarani para “esforço colectivo”.
O acordo incluía uma iniciativa para os países colaborarem numa base voluntária para reduzir as emissões de carbono e se esforçarem para limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.
Também referiu um compromisso assumido por todas as nações na COP28 no Dubai de “transição para longe dos combustíveis fósseis” – mas esta frase exacta, que se tornou politicamente sensível, não foi incluída.
FINANCIAR
As nações mais pobres do mundo queixam-se há muito tempo de que não têm financiamento para a “adaptação” – medidas para proteger as suas economias da subida dos mares, como a construção de muros marítimos e outros impactos das alterações climáticas.
Numa vitória para os países em desenvolvimento na COP30, o acordo final “apela a esforços para pelo menos triplicar o financiamento da adaptação até 2035”.
Em 2024, os países ricos concordaram em fornecer 300 mil milhões de dólares por ano até 2035 em financiamento climático às nações em desenvolvimento, sem nenhum montante específico destinado à adaptação.
A maior parte deste montante vai para projectos que reduzem as emissões de gases com efeito de estufa, como as energias renováveis, e não para a adaptação – algo que os países em desenvolvimento há muito reclamam que os coloca em desvantagem.
TROCA
Pela primeira vez, o comércio foi incluído como um pilar do texto final, com um diálogo de três anos a ter lugar no âmbito do quadro climático.
Isto reflectiu preocupações de países como a China de que medidas comerciais – como impostos sobre bens com utilização intensiva de carbono – poderiam corroer as receitas de exportação ou criar barreiras às vendas de tecnologia verde.
FLORESTAS
Na COP30, o Brasil lançou um novo veículo de investimento global que propõe pagar uma parte dos lucros aos países ricos em florestas por cada hectare de árvores que deixem em pé.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou durante uma cúpula de líderes em Belém na semana passada – mesmo antes do início oficial da COP30 – o lançamento do Mecanismo Florestas Tropicais para Sempre.
O TFFF atraiu 5,5 mil milhões de dólares em promessas da Noruega, Alemanha, Indonésia, França e Brasil – os maiores contribuintes.
Em última análise, o Brasil pretende angariar 125 mil milhões de dólares em investimentos públicos e privados, mas disse que o fundo poderia começar a funcionar mesmo sem a totalidade dos 25 mil milhões de dólares em capital inicial dos governos.
COMPROMISSOS DE METANO
A redução das emissões de metano – o segundo maior contribuinte para as alterações climáticas depois do dióxido de carbono – é considerada uma das formas mais rápidas de conter o aquecimento global.
Embora permaneça na atmosfera durante cerca de 12 anos, o “superpoluente” é cerca de 80 vezes mais potente que o CO2 num período de 20 anos.
Na COP30, sete países – Grã-Bretanha, França, Canadá, Alemanha, Noruega, Japão e Cazaquistão – assinaram uma declaração prometendo atingir emissões “quase nulas” de metano em todo o sector dos combustíveis fósseis.



