O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, pediu ontem às nações presentes na conferência COP30 no Brasil que acelerem os esforços para reduzir as emissões e mantenham vivo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
“Não estou a adoçar isto. Temos muito mais trabalho a fazer. Devemos avançar muito, muito mais rapidamente tanto na redução das emissões como no reforço da resiliência”, disse Stiell, acrescentando: “Lamentar não é uma estratégia. Precisamos de soluções.”
Stiell, secretário executivo da convenção-quadro da ONU sobre alterações climáticas, dirigiu-se à reunião de ministros e altos funcionários de quase 200 países, num retrato nítido do preço do fracasso na crise climática.
As duas semanas de conversações, organizadas pelo Brasil na cidade amazónica de Belém, centrar-se-ão na redução das emissões de gases com efeito de estufa, no estabelecimento de um caminho para a transição dos combustíveis fósseis e no fornecimento do financiamento necessário para proteger os países pobres contra condições meteorológicas extremas.
As temperaturas já ultrapassaram o limite de 1,5ºC acordado no âmbito do Tratado de Paris de 2015 nos últimos dois anos, mas só se isso continuar por mais alguns anos é que o aumento será considerado permanente e uma violação do tratado, relata o The Guardian online.
Alguns cientistas argumentam que ainda poderá ser possível reduzir novamente as temperaturas até ao limiar, ou perto dele, através de medidas como a redução do poderoso gás com efeito de estufa, o metano, e através de uma rápida mudança para tecnologias de baixo carbono.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem na abertura das negociações climáticas da ONU que era hora de derrotar os negacionistas das mudanças climáticas.
“A mudança climática não é mais uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente”, disse Lula, criticando aqueles que rejeitam as evidências científicas e “espalham o medo, atacam instituições, a ciência e as universidades”.
“É hora de infligir uma nova derrota aos negacionistas”, disse ele, acrescentando que era muito mais barato lutar para proteger o clima do que travar uma guerra.
Simon Stiell também disse na reunião de abertura da cimeira: “Quando os desastres climáticos dizimarem as vidas de milhões, quando já tivermos as soluções, isto nunca, jamais, será perdoado”.
“Nem uma única nação entre vós pode permitir-se isto, já que os desastres climáticos retiram dois dígitos ao PIB”, alertou. “Vacilar enquanto as mega secas destroem as colheitas nacionais, fazendo disparar os preços dos alimentos, não faz sentido, económica e politicamente. Disputar enquanto a fome se instala, forçando milhões a fugir das suas terras natais, isto nunca será esquecido, à medida que os conflitos se espalham.”
Alguns, incluindo o Brasil, sugeriram que os países se concentrassem em esforços menores que não precisam de consenso, depois de anos de cimeiras da COP que celebraram promessas grandiosas apenas para deixar muitas por cumprir.
“Minha preferência é não precisar de uma decisão da COP”, disse o presidente da COP30, André Correa do Lago, em entrevista à Reuters e outros meios de comunicação. “Se os países têm um desejo esmagador de uma decisão da COP, certamente pensaremos sobre isso e lidaremos com isso”.
Do Lago destacou o aumento da importância da China nas negociações, à medida que os Estados Unidos prometem sair do Acordo de Paris em Janeiro e a União Europeia luta para manter a sua ambição em meio a preocupações com a segurança energética.
“Os países emergentes estão a aparecer nesta COP com um papel diferente. A China vem com soluções para todos”, disse do Lago – observando que as tecnologias verdes baratas da China lideram agora a transição energética em todo o mundo.


