Há apelos crescentes para que as nações desenvolvidas que produzem a maior parte das emissões de gases assumam mais responsabilidades.

Líderes de países que sofrem alguns dos efeitos mais catastróficos da crise climática global, desde furacões, inundações e muito mais, instaram a conferência climática das Nações Unidas no Brasil, COP30, a tomar medidas.

Os líderes mundiais estão reunidos na orla da floresta amazônica, em rápido declínio, antes do início oficial de segunda-feira, com muitos se concentrando em equilibrar melhor a lacuna entre as nações em desenvolvimento e os países mais ricos que produzem a maior parte das emissões de gases nocivos do mundo.

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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizou a necessidade de um roteiro concreto para “desfazer o desmatamento, superar os combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários”.

Outra iniciativa visa criar um mercado global de carbono partilhado, onde aqueles que produzem menos emissões do que as suas metas exigidas possam potencialmente receber crédito e vendê-lo àqueles que ultrapassam os compromissos.

Os países mais ricos prometeram 300 mil milhões de dólares para ajudar as nações mais pobres a lidar com os impactos abrangentes do aquecimento climático na cimeira do ano passado, mas nenhum dinheiro foi distribuído.

Além disso, os países em desenvolvimento e os grupos de defesa internacionais sustentam que o número é lamentavelmente insuficiente para atender às necessidadesvisando uma meta de 1,3 biliões de dólares em diversas formas de assistência governamental e privada.

‘Manter a cabeça baixa de vergonha’

Durante a reunião de líderes na sexta-feira, o diplomata haitiano Smith Augustin disse Furacão Melissa devastou o seu país, enquanto os pequenos estados insulares são os menos responsáveis ​​pelas alterações climáticas.

Kithure Kindiki, vice-presidente do Quénia, disse que “um ciclo de secas extremas, alternadas com inundações devastadoras, que ocorria uma vez num século, continua a destruir vidas” no país da África Oriental, que sofreu um deslizamento de terra mortal na semana passada.

A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, disse que os líderes presentes na cimeira devem “manter a cabeça baixa de vergonha”, uma vez que um fundo para perdas e danos estabelecido na conferência de 2022 no Egipto ainda tem uma base de capital inferior a 800 milhões de dólares, “enquanto a Jamaica sofre danos superiores a 7 mil milhões de dólares, para não mencionar Cuba, o Haiti ou as Bahamas”.

Mahmoud Ali Youssouf, presidente da Comissão da União Africana, disse que os líderes dos países que sofrem os impactos mais nocivos da crise climática não estão a pedir caridade, mas sim “justiça climática”.

Vários líderes também criticaram os Estados Unidos, que, sob o presidente Donald Trump, classificaram as alterações climáticas como uma “farsa” e recusaram enviar um enviado às conversações enquanto se aprofundavam nos combustíveis fósseis.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirmou em seu último relatório no início desta semana que é “muito provável” que o mundo exceda a marca de 1,5ºC (2,7ºF) de aquecimento global – uma meta acordada internacionalmente e definida no âmbito do Acordo de Paris – na próxima década.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse às autoridades reunidas no Brasil que eles podem escolher liderar ou ser levados à ruína.

“Demasiadas empresas estão a obter lucros recordes com a devastação climática, com milhares de milhões gastos em lobbying, enganando o público e obstruindo o progresso, e demasiados líderes permanecem cativos destes interesses arraigados”, disse ele.

Guterres também disse que ultrapassar 1,5ºC é inevitável no curto prazo, “mas o que importa é quão alto e por quanto tempo”.

A ONU afirma que as emissões globais devem ser reduzidas quase para metade até 2030, atingir o valor líquido zero até 2050 e passar para valores líquidos negativos a partir de então.

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